terça-feira, 8 de julho de 2014

Aprendizado



Não adiantaria eu falar qualquer coisa sobre a maior seleção da história e sua maior desgraça enquanto tinha em mim aquela tristeza que milhões de brasileiros também tinham, e que teimavam em tentar disfarçar procurando culpados num campo onde todos aqueles que usaram a camisa amarela do Brasil eram mais vítimas do que realmente culpados. Portanto resolvi esperar um pouco, refletir e falar sobre aquilo que movimenta a minha vida, que é o verdadeiro esporte, o verdadeiro futebol.

A primeira coisa que todos deveriam entender é que não se encontra culpados em 90 minutos de uma semifinal de Copa do Mundo. Esses jogadores do Brasil são vítimas do anti desporto que foi praticado nos últimos anos. O futebol do dinheiro, das cifras altas, dos contratos milionários. O futebol rico encantador de meninos (que nem sombra são daqueles que um dia construíram nosso futebol com amor e paixão aflorada na pele) hoje destrói o esporte fingindo ser um esporte. O esporte que hoje não dá glórias, mas dinheiro. Dinheiro transformado em falsa glória.

A culpa não é só dos que entram em campo. O Brasil e sua última geração vencedora acabou há oito anos, e nada foi feito. Desde então uma identidade falsa foi criada em torno de jogadores que mesmo bons, são inferiores aos que escreverem na história o último título brasileiro num Mundial. Nossos times menores, reveladores de craques continuaram sendo extintos pelas cifras das federações que pouco fizeram para salvar os maiores celeiros de novos talentos para o nosso futebol. Estes sim, ganhando pouco e jogando muito, fazendo por amor e buscando dias melhores, e não mansões e carros importados. Enquanto isso estão tratando meninos de treze ou quatorze anos como estrelas, antes mesmo de um dia terem feito algo pelo futebol. É difícil encontrar quem saiba gerir esse tipo de situação.

A culpa não é só de quem escala o time. Os técnicos brasileiros jamais tiveram um choque de realidade a ponto de buscarem se qualificar para serem os melhores do mundo. O Brasil que sempre teve técnicos em seleções de outras partes do mundo, hoje não consegue acompanhar a boa geração de novos técnicos portugueses, colombianos e argentinos. Mesmo assim a seleção insiste nos mesmos nomes, e os grandes clubes fazem um revezamento entre os estes mesmos nomes que faziam sucesso há vinte anos e que enxergam o futebol como se ele ainda estivesse na década de 90. Poucos buscam novas alternativas.

A culpa não é apenas disso tudo. Nossos clubes ditos grandes são os mais ricos da América do Sul e os únicos que poderiam ser tão conhecidos e aclamados no mundo todo como os europeus conseguiram. Mesmo assim investem mal, pagam pra uma porção de jogadores e devem para outros. Devem as calças para os bancos, fazem dívidas. Vão para a Libertadores gastando muito e perdendo para clubes uruguaios, argentinos, paraguaios e bolivianos que possuem investimentos parecidos com os clubes da nossa Série C. Enquanto isso nada se faz pela base, que continua sendo armazenada como mercadoria em alojamentos úmidos sob as arquibancadas, e alimentados a pão com mortadela. Nada se faz.

Em contrapartida a Alemanha de grosso modo faz o inverso, e mesmo não tendo um futebol perfeito que por vezes dá margem ao erro fez o que fez. E que seja fonte de inspiração para que haja uma reestruturação no nosso maior patrimônio nacional, nosso futebol.

Tudo isso (e muito mais que se citasse ficaria horas escrevendo) serve para que as coisas sejam feitas com competência a partir de agora. Creio que a derrota do David para o Golias, o inferno de Dante, o assassinato de Julio Cesar, ou qualquer outra tragédia que queiram imaginar sempre servirá para que as coisas tomem um rumo correto. Apenas rezo para que o nosso futebol agora seja gerido por gente competente de verdade. Anotem uma coisa: Se os melhores cuidarem do nosso futebol, e ninguém esperar que nada mude do dia pra noite, todo mundo irá agradecer à Alemanha por esse terrível e mais doloroso capítulo escrito da história do maior futebol do planeta.

terça-feira, 26 de novembro de 2013

“Bom Senso F. C.” usa de bom senso?



O futebol brasileiro já não é o mesmo. Após crises financeiras, choques de gestão e grandes lucros surgindo assim a bonança depois das tempestades, transformando o esporte num verdadeiro canteiro de negócios, o romantismo foi posto em segundo plano e a tradição vem cada vez mais ficando registrada apenas em livros, velhos artigos e registros em áudio e vídeo.

Com essa “revolução”, o atleta saiu da fossa de ir apenas “graças a Deus em busca dos três pontos”, na qual todos pareciam ter caído no período após o Tetra da Seleção Brasileira, para se tornar num ser pensante, com sentimentos e opiniões.

O atleta, cada vez mais exigido pelos calendários preenchido de datas de jogo e pelos treinamentos físicos, cansou de ver seu corpo esmorecer a cada segundo semestre de cada temporada em atuação. Lesões musculares se tornaram frequentes, e os clubes pouco pareciam ligar para isso. Os atletas que hoje pensam, então, decidiram pela criação do “Bom Senso F. C.”, que visa melhorias para o futebol nacional. Algumas válidas, outras que soam como interesses pessoais.

Dentre as principais questões abordadas pelo grupo encabeçado por Alex, meio-campista hoje no Coritiba, e formado por jogadores como Alessandro do Corinthians, Lúcio Flávio hoje no Paraná, Juan do Internacional, Fernando Prass do Palmeiras e Edu Dracena do Santos, estão o sempre tão polêmico abarrotado calendário, as interferências que ele causa nas datas FIFA de seleções, causando um déficit técnico em partidas nacionais que deveriam contar com jogadores convocados por seleções, o ‘Fair-Play financeiro’, dentre outros.

A atitude do grupo de jogadores é louvável, pois isso demonstra que o comodismo não está presente no futebol como aparentava ser. Mas será que as reivindicações estão sendo feitas nos lugares certos?

Vamos por partes. A CBF ouve as críticas dos jogadores, mas parece não se importar muito, o que causa desconforto aos atletas que buscam melhorias. E embora a CBF por muitos anos seja exemplo de falta de gestão profissional, ela não tem que ouvir mesmo! Pode soar como injusto, mas você, torcedor, quer ver uma drástica queda de partidas de seu clube durante o ano? Aposto que não.

O fato é que quem deve ser cobrado é o clube, e não as federações e a confederação. Se o jogador cansa por jogar demais durante o ano, é culpa do clube não ter um elenco grande e qualificado o suficiente para uma temporada inteira. Sendo assim é impossível uma rotatividade do plantel, o que aliviaria os efeitos de uma temporada aos jogadores. E se o nível das partidas cai nas datas FIFA, é culpa também é do clube de não ter no elenco jogadores que possam suprir ausências de maneira satisfatória. E isso vem desde a base, que não forma atletas como deveria formar no Brasil, sendo a grande maioria fruto da ‘mágica’ que existe no nosso país de ter em seu território jogadores com talento nato, o que cada vez mais se reduz devido aos treinamentos cada vez mais arcaicos em solo nacional.

Seria também desinteressante uma queda no número de partidas a cada temporada, e isso afetaria principalmente o torcedor. E isso não é só pela redução do entretenimento anual conquistado ao ver seu clube na TV ou no estádio. O prejuízo no bolso de quem vai ao estádio e quem compra pacotes PPV na TV seria também maior. Menos partidas ocasionariam aumento no valor dos ingressos, pois o clube não abriria mão deste lucro. As TV’s provavelmente também não reduziriam o valor dos pacotes, pois ela também possui suas dívidas em relação a direitos de imagem. E isso prejudicaria a todos os fãs do esporte.

E quanto ao Fair-Play financeiro? Culpa das federações, ou dos clubes? O mais provável é que seja culpa dos próprios jogadores, em grande parte. Para o clube não ter dívidas, ele precisa, sobretudo, manter um controle em sua folha salarial, o que não acontece justamente por conta dos altíssimos salários pagos aos jogadores e comissão técnica nos dias de hoje. Muitos dos jogadores que reivindicam melhorias possuem salários astronômicos, e jamais aceitariam uma redução de seus vencimentos. Como o salário é alto, o clube se afunda em dívidas para pagar, atrasando muitas vezes as parcelas. E o processo acaba se transformando num círculo vicioso, onde o clube não consegue suprir sua demanda financeira, sacrificando-se para pagar os salários. É óbvio que os clubes têm a sua parcela de culpa nisso, mas hoje, um clube que se planeja a pagar no máximo (um exemplo) R$ 100 mil por mês aos seus jogadores, numa Série A do Brasileiro no mínimo brigaria para não cair, pois não conseguiria ter em seu plantel grandes jogadores para brigar na parte de cima da tabela. Mas sempre existem exceções à regra... E a deste ano chama-se Clube Atlético Paranaense.

O Furacão é um dos maiores exemplos de gestão de nosso país, atualmente. Embora não seja um dos clubes com maior receita no Brasil, tampouco paga os salários mais altos (é apenas o 16º colocado segundo a revista Exame), e tenha frequentado nos últimos anos a Série B nacional, neste período o clube se estabilizou financeiramente gastando pouco (cerca de R$ 7 milhões para montagem do elenco anualmente, contra mais de R$ 60 milhões do Corinthians, o que mais gasta), e ainda conseguindo investir em estrutura (a Arena da Baixada será um dos estádios mais modernos do mundo e sede da Copa de 2014). Além disso, o clube que sempre foi um dos poucos a investir de maneira correta nas categorias de base no Brasil, se preocupando em formar atletas e não em apenas ganhar títulos, colhe frutos disso durante toda a temporada de 2013.

No início do ano ainda sob o comando do técnico Ricardo Drubsky, o clube utilizou em sua maioria apenas meninos criados na base durante todo campeonato estadual do Paraná. O clube começou se adaptando, cresceu durante o campeonato e atingiu o vice-campeonato gastando pouco. Enquanto isso, seus principais atletas trabalhavam numa longuíssima pré-temporada visando às disputas que viriam no restante do ano. O clube começou num ritmo lento a competição, agora sob o comando de Wagner Mancini, foi crescendo a cada jogo, e no momento certo se estabeleceu como uma das maiores forças do país, alcançando a final da Copa do Brasil, e simultaneamente pleiteando um lugar na Libertadores de 2014 por meio do Campeonato Brasileiro.

Pode-se afirmar que tudo isso se deve ao planejamento e ao elenco que apesar de estar longe de ser tarimbado, possui opções boas para todos os setores em número significativo, muitos deles formados na própria base do clube. Seus jogadores mais experientes, Luis Alberto (35 anos) e Paulo Baier (39 anos), considerados bases do time, como fizeram uma pré-temporada longa e adequada, e descansaram quando preciso durante a temporada, estão em plena forma física na reta final das competições nacionais, diferentemente de Seedorf do Botafogo e Alex do Coritiba, que já mostram sinais de cansaço no mesmo período, por conta de terem sido exaustivamente utilizados durante toda a temporada, pois seus clubes não possuírem material humano para um rodízio.

O “Bom Senso” é importante, pois o futebol está longe do ideal nos dias de hoje, mas a cobrança tem que ser sobre quem faz o futebol perdurar durante anos como paixão nacional: Os clubes. São eles que promovem o primeiro interesse ao futebol, e são eles que devem ser modelos de gestão. Se o clube se preocupar com seu material humano de forma que haja um planejamento melhor para todos, não há calendário que tenha que ser modificado, pois isso sempre será desinteressante ao principal cliente do esporte, que é justamente o torcedor.

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Porte físico é importante?

O futebol nunca viveu uma fase de tanto ímpeto físico como se vive atualmente. E num mundo de aparências, claramente a aparência de um jogador de futebol faz a diferença ao observador sobretudo na hora de levá-lo ao clube. Afinal, se um clube tem dois meninos para escolher entre um deles para a sua base, com qualidades praticamente iguais diga-se de passagem, porém um bem alto e outro ainda 'mirrado', é quase certo que o menorzinho será preterido, mesmo que no futuro ele possa crescer também e ser um jogador melhor que o grandão.

O fato é que o porte é levado muito em conta numa seleção, e isso pode soar injusto para muitos aspirantes ao futebol, e errôneo da parte dos clubes, que se precipitam na escolha.

Podemos então perguntar: Será que o talento vem sendo deixado de lado apenas por aparências? Haja visto que quem faz isso geralmente são clubes que se preocupam demais com resultados na base, e pouco com a formação. O resultado é pouco material no profissional. Com todos no tamanho igual, o grandão de ontem acaba se escondendo.

Um exemplo claríssimo e clássico é o de Lionel Messi, um dos melhores jogadores da história e melhor dos dias atuais. Com apenas 1,40m aos 13 anos de idade, período em que os meninos sofrem seus 'estirões' (onde passam a crescer e se desenvolver fisicamente com mais rapidez), o menino Lionel parecia parado no tempo por conta de problemas hormonais. Foi ele submetido então a uma série de tratamentos para que crescesse um pouco mais, chegando aos atuais 1,69m. Ainda pequeno. E este é o fato a se destacar! Messi mesmo que menor que seus marcadores, tem seu talento nato e assim desiquilibra defesas pela Europa. Se fosse mais alto, seria melhor? Não se sabe. O fato é que sua baixa estatura nada compromete em seu futebol.

 
Se formos buscar exemplos, teremos de sobra. Na defesa, onde se exige de muitos a altura, Oscar Perez nunca precisou de mais do que seus 1,72m para ser um dos maiores goleiros da história do México, comparado a Carbajal e Jorge Campos, que também tinha apenas 1,73m. Fábio Cannavaro nunca sentiu falta de centímetros a mais, e se tornou um dos maiores zagueiros da história com apenas 1,76m. Carles Puyol, ídolo do Barcelona tem apenas 1,78m. Hoje, é raro um zagueiro ter menos que seus 1,82m. E lá na frente, onde se pede altura para as jogadas aéreas, Romário com os mesmos 1,69m de Messi subia alto e fazia seus gols. Túlio com 1,75m era fatal também. Gerd 'der bomber' Muller não precisou de mais do que 1,76m para fazer o que fez. E por ai vai.

Podemos então dizer que o porte físico é sim importante, mas somente na hora da inserção do atleta sortudo no futebol, que cresceu antes dos outros e foi escolhido por isso. Mas jamais podemos dizer que isto é fundamental para que se crie ali, um grande jogador de futebol.

Outro caso de preconceito no futebol é contra os jogadores mais robustos. Quilos a mais são vistos com desdém por torcida, diretores, imprensa, comissão técnica, e logo que uma fase não tão boa surge, a culpa é justamente do peso, gerando críticas e até afastamentos. Mas será que compromete tanto?

Eu digo que não, absolutamente. Defendo minha tese utilizando exemplos de esportes que se necessitam tanto quanto da explosão muscular, como o rugby e o futebol americano. É claro que eu sei que são esportes diferentes, jogados de forma diferente, mas o que eu digo é que não compromete ao jogador de futebol estar esteticamente diferente da maioria, se este estiver apto fisicamente e liberado pelos seus preparadores físicos e seus médicos para a prática do esporte.

 
Allan Jacobsen, seleção escocesa de rubgy.

O índice de massa corpórea de alguns atletas sendo mais alto, até potencializa suas capacidades físicas. Se o jogador está com massa maior, está também com mais 'combustível' para queimar durante uma partida. Se muito magro, pode não aguentar uma partida inteira, e isso é comprovado.

Ferenc Puskas, Neville Southall, William Foulke, Neil Ruddock, Salvador Cabañas, Mark Bosnich, Ronaldo, Chilavert... Nenhum deles perdeu a técnica pelos quilos a mais. É óbvio que se descontrolado, o peso prejudica articulações e facilita a presença de lesões, mas a cultura do desrespeito ao biotipo de cada jogador (que pode sim ter nascido endomorfo e ninguém saiba) deveria ser ceifada, para que novos atletas mesmo de portes diferentes surgissem no futebol.



O exemplo atual é o de Walter, atacante que vem fazendo grandes jogos pelo Goiás no Brasileirão de 2013 e mostrando que isto nada impede ele de se portar bem em campo. A propósito, o jogador se tornou ainda mais decisivo nessa sua nova fase, pois ganhou massa e consequentemente resistência, podendo atuar 90 minutos em bom nível.

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Brescia nel cuore

(Saudações aos leitores! É com muita honra que nós do Blog Ficha Técnica, pela primeira vez temos um convidado especialíssimo em nosso meio. Trata-se do amigo Fernando Galuppo, jornalista e escritor de livros sobre nosso futebol, dentre eles "O Time do Meu Coração", "Morre Líder, Nasce Campeão!", "Palmeiras Campeão do Mundo 1951" (o qual eu, Danilo, estou lendo), "Alma Palestrina" e "Sociedade Esportiva Palmeiras 1993 - Fim do Jejum, Início da Lenda", todos estes sobre a Sociedade Esportiva Palmeiras, além do "Glórias de Um Moleque Travesso", sobre nosso querido Clube Atlético Juventus da Mooca.

Como se percebe pelos livros, Galuppo é como os autores desde blog, fanático pelo futebol. E por sua origem italiana, foi absolutamente justo que nosso amigo escrevesse sobre o futebol italiano. E neste texto, ele descreve com a maestria de um camisa 10 sua paixão pelo Brescia.)


Brescia nel cuore 

Por Fernando Galuppo

 

Temporada 2002/2003. Da esquerda para a direita Roberto Baggio, Stephen Appiah e Pep Guardiola. Foto Reprodução: In My Ear


Toda a minha geração cresceu assistindo o Campeonato Italiano de Futebol na tela da TV Bandeirantes nos anos 90. Domingo pela manhã, antes da macarronada, era sacrossanta a companhia do narrador Silvio Luiz e dos comentários de Silvio Lancelotti nos lares dos apaixonados pelo esporte-bretão. No meu caso, em particular, isso ficava ainda mais latente. 
 
Neto de italianos tanto do lado materno quanto do paterno, a paixão pelo futebol e pelas coisas da Itália corre nas veias desde cedo.  Além de acompanhar pela televisão os craques do “calcio”, lia as notícias vindas da  “bota” publicadas na revista Placar, colecionava os álbuns defigurinhas da Panini e os cards importados que eram vendidos em algumas bancas do centro da cidade.  Esses mais raros e mais caros. Eram presentes de aniversário ou eventualmente eu os recebia por algum mérito escolar, por exemplo. Artigo de luxo, pode se dizer. Camisas de clubes eram raras. Não se tinha a facilidade dos tempos atuais.
 
Em casa, meu pai nutria simpatia pela Juventus de Turim e pela Fiorentina. Times que tiveram passagens marcantes de atletas do Palmeiras e que eram seus ídolos, tais como Mazzola e Julinho Botelho, respectivamente. Eu não segui seus passos. Tios tentaram me “comprar”, dando para mim uma belíssima camisa original da Lazio do “Pepe” Signori, batizada pelo Papa no Vaticano. Não funcionou. A genialidade de Maradona no Napoli não me cativou. Nem mesmo o fantástico carrossel holandês do Milan, com Gullit, Van Basten e companhia não me inspiravam. Nada me chamava mais atenção que aquela camisa azurra com um “V” branco no peito. Minha escolha estava feita desde o início: Brescia Calcio.

Foi paixão à primeira vista. Foi arrebatador como a primeira namorada. Mesmo sendo o “patinho feio”, aos meus olhos juvenis o Brescia não tinha defeitos. Era perfeito. Impávido. Seus jogadores que mais tenho lembranças nas primeiras formações eram: o goleiro Ballotta, o zagueiro Baronchelli,  os meias Ratti e Schenardi e os atacantes Hagi, Hubner e Maurizio Neri. Foram meus primeiros ídolos. Não me lembro de ter tido muitas alegrias com eles. Mas eram meus heróis e isso bastava.

O Brescia é considerado uma equipe “ioiô”. Ou seja, sobe da A para B ano sim e ano não. É a equipe italiana que mais vezes trilhou essa via-crúcis de acesso e descenso em toda história por mais de uma dezena de vezes. Com alegrias e tristezas, vivo intensamente essa gangorra, acompanhando a equipe pelas rádios e noticiários esportivos. Sempre que posso, compro o abonamento, uma espécie de carnê com ingressos para todos os jogos de uma temporada. Mesmo não tendo ido assistir jamais uma partida no estádio Mario Rigamonti. Em seu centenário, comprei o livro comemorativo. E todo o lançamento de uma nova coleção de camisas procuro compra-las. É minha forma de contribuir com essa paixão, mesmo à distância.

Tradicionalíssima, a agremiação Lombarda foi fundada em 1911. É o time que mais disputou a Série B italiana e que a venceu em três ocasiões: 1964-1965, 1991-1992 e 1996-1997. As duas últimas me recordo bem. E fiquei muito feliz. Sua melhor colocação na Série A foi um inesquecível sétimo lugar na temporada 2000-2001. Na ocasião o mito Roberto Baggio foi seu grande líder numa jornada heroica e memorável. Se o “Divin Codino”, como Baggio era chamado, era o maestro dentro de campo, o lendário treinador Carleto Mazzone regia a companhia no banco de reservas.  Não há como esquecer num clássico contra a Atalanta – maior rival dos lombardos – Mazzone atravessar todo o campo, literalmente, para dar uma senhora “banana” para a curva bergamasca, os xingando de tudo quanto é nome, após o empate do Brescia nos descontos, após estar perdendo por dois gols de diferença. Simplesmente arrebatador  para os corações dos brescianos o gesto do comandante! Luca Toni, Bonera,  Doni e irmãos Filippini eram alguns outros expoentes desse esquadrão, que chegou a final da extinta Copa Europeia Intertoto diante do Paris Saint Germain. Com dois empates (0 a 0 na França e 1 a 1 na Itália), a taça ficou com os franceses, devido os gols marcados fora de casa. Após esse período dourado, o Brescia amargou a Série B de 2004 a 2010, ano em que obteve um efêmero acesso à Série A, para retroceder à divisão B novamente no ano seguinte e permanecer até os dias atuais. 

Entre os grandes craques, destaque para Giuseppe Guardiola, atual técnico do Bayern de Munique, que encerrou a sua carreira como jogador vestindo a camisa do Brescia. Altobelli, jogador da seleção italiana nos anos 80, também defendeu as cores brescianas. Andrea Pirlo, meia extraordinário, foi revelado pelo Brescia.  Branco, lateral da seleção brasileira de 94, também teve passagem destaca para time da  “leonessa”.

Hoje, disputando a Série B, suas maiores referencias no elenco são o lateral Zambelli e o atacante Andrea Caracciolo, maior artilheiro da história da equipe, com mais de 100 gols marcados. Sem dúvida alguma torceremos como sempre para que o Brescia consiga o acesso à elite italiana. 
 
VIVA O BRESCIA!!!

quarta-feira, 19 de junho de 2013

The Magpie Mirandinha

Francisco Ernandi Lima da Silva (ou somente Mirandinha), jogou na Seleção Brasileira em época de vacas magras, pelo idos da década de 80. No Brasil, teve boas passagens principalmente por Fortaleza, Botafogo e Palmeiras. E foi justamente quando jogava pelo alviverde, que fora convocado para um jogo pela Seleção Canarinho contra a Inglaterra.

Pois bem, Mirandinha entrou e jogou pra inglês ver. E realmente viram (e gostaram). Por conta desde jogo, Mirandinha é considerado o primeiro jogador brasileiro a atuar em gramados ingleses na época do profissionalismo, sendo contratado pelo Newcastle.

Embora Mirandinha não tenha tido uma grande passagem em dois anos atuando pelos Magpies, vale o registro de que ele foi o pioneiro a levar o futebol brasileiro aos campos bretões, no ano de 1987. Fica aqui o registro em vídeo, de sua estreia contra o Norwich:

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Petrov é grande

Faz alguns meses que Stiliyan Petrov, jogador búlgaro do Aston Villa, teve que interromper sua carreira repentinamente por causa do golpe duro de ter descoberto sofrer de câncer na medula. Os fãs do jogador e os torcedores do Aston Villa sempre estiveram próximos ao jogador, que lutou contra a doença assim como brigava pela bola em campo.

Embora tenha sido divulgado no Brasil a sua enfermidade, o assunto esfriou por aqui e ninguém mais mostrou o estado de saúde do atleta. O BFT então, buscou informações em sites europeus e teve uma feliz notícia: Petrov está bem!

Segue uma sequência de fotos do 'antes, durante e depois' do diagnóstico e recuperação do búlgaro:

Petrov em uma de suas últimas partidas pelos Villans.

Alguns dias depois de anunciar a enfermidade, sendo ovacionado pelos 
torcedores na tribuna do estádio ao lado de sua família.


Já em tratamento, notoriamente com quilos a mais
e já sem cabelos, Stiliyan aparecia no estádio
esporadicamente acompanhando o Aston Villa.

E já em fase de recuperação quase plena, Petrov esteve no clube
em que encerrou a carreira no seu 33º aniversário, data
comemorada por seus companheiros de equipe.

Anunciada sua recuperação após o tratamento por quimioterapia, Petrov ainda deverá tomar remédios durante dois anos para controlar a doença a fim de que ela não evolua mais e não volte para seu organismo. A apuração de notícias do BFT ainda informa que ontem, dia 23 de maio de 2013, Petrov anunciou junto ao Aston Villa que voltará ao trabalho no clube em que encerrou a carreira, agora como auxiliar técnico. Boa sorte e muita saúde ao Stiliyan!

Mais informações em inglês clicando aqui.

terça-feira, 7 de maio de 2013

Pequena nota sobre George Best

Hoje, lendo sobre o futebol da Inglaterra, acabei lembrando de um dos meus maiores ídolos no futebol como atleta em si, George Best. Além de um dos maiores jogadores do Manchester United e o maior jogador Norte Irlandês de todos os tempos, Best provavelmente foi o primeiro grande 'garoto problema' conhecido internacionalmente que o futebol conheceu. 


Adriano e Edmundo foram crianças perto do que Best foi. George, além de futebolista, era uma celebridade influente do showbizz. E criou problemas durante se carreira que refletiram em sua vida externa ao esporte. Noitadas, bebedeiras, mulheres, carros. Todo o dinheiro que ganhou em cerca de 11 anos nos red devils foram gastos em bagunça.

Mas tudo um dia, se finda. Best se viu doente do fígado numa cama de tanto beber, tendo como item mais valioso que o tinha restado, uma carta do rei Pelé aos seus pés que dizia próxima a assinatura, "Do segundo melhor jogador do mundo".



Aos 59 anos, Best se foi. Mas antes, deixou de exemplo sua carreira vitoriosa e perdedora ao mesmo tempo. Se deixou fotografar em estado terminal, e deixou apenas uma frase para reflexão aos que se envolvem no caminho tortuoso da bebida e das drogas: "Não morra como eu."