quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Porte físico é importante?

O futebol nunca viveu uma fase de tanto ímpeto físico como se vive atualmente. E num mundo de aparências, claramente a aparência de um jogador de futebol faz a diferença ao observador sobretudo na hora de levá-lo ao clube. Afinal, se um clube tem dois meninos para escolher entre um deles para a sua base, com qualidades praticamente iguais diga-se de passagem, porém um bem alto e outro ainda 'mirrado', é quase certo que o menorzinho será preterido, mesmo que no futuro ele possa crescer também e ser um jogador melhor que o grandão.

O fato é que o porte é levado muito em conta numa seleção, e isso pode soar injusto para muitos aspirantes ao futebol, e errôneo da parte dos clubes, que se precipitam na escolha.

Podemos então perguntar: Será que o talento vem sendo deixado de lado apenas por aparências? Haja visto que quem faz isso geralmente são clubes que se preocupam demais com resultados na base, e pouco com a formação. O resultado é pouco material no profissional. Com todos no tamanho igual, o grandão de ontem acaba se escondendo.

Um exemplo claríssimo e clássico é o de Lionel Messi, um dos melhores jogadores da história e melhor dos dias atuais. Com apenas 1,40m aos 13 anos de idade, período em que os meninos sofrem seus 'estirões' (onde passam a crescer e se desenvolver fisicamente com mais rapidez), o menino Lionel parecia parado no tempo por conta de problemas hormonais. Foi ele submetido então a uma série de tratamentos para que crescesse um pouco mais, chegando aos atuais 1,69m. Ainda pequeno. E este é o fato a se destacar! Messi mesmo que menor que seus marcadores, tem seu talento nato e assim desiquilibra defesas pela Europa. Se fosse mais alto, seria melhor? Não se sabe. O fato é que sua baixa estatura nada compromete em seu futebol.

 
Se formos buscar exemplos, teremos de sobra. Na defesa, onde se exige de muitos a altura, Oscar Perez nunca precisou de mais do que seus 1,72m para ser um dos maiores goleiros da história do México, comparado a Carbajal e Jorge Campos, que também tinha apenas 1,73m. Fábio Cannavaro nunca sentiu falta de centímetros a mais, e se tornou um dos maiores zagueiros da história com apenas 1,76m. Carles Puyol, ídolo do Barcelona tem apenas 1,78m. Hoje, é raro um zagueiro ter menos que seus 1,82m. E lá na frente, onde se pede altura para as jogadas aéreas, Romário com os mesmos 1,69m de Messi subia alto e fazia seus gols. Túlio com 1,75m era fatal também. Gerd 'der bomber' Muller não precisou de mais do que 1,76m para fazer o que fez. E por ai vai.

Podemos então dizer que o porte físico é sim importante, mas somente na hora da inserção do atleta sortudo no futebol, que cresceu antes dos outros e foi escolhido por isso. Mas jamais podemos dizer que isto é fundamental para que se crie ali, um grande jogador de futebol.

Outro caso de preconceito no futebol é contra os jogadores mais robustos. Quilos a mais são vistos com desdém por torcida, diretores, imprensa, comissão técnica, e logo que uma fase não tão boa surge, a culpa é justamente do peso, gerando críticas e até afastamentos. Mas será que compromete tanto?

Eu digo que não, absolutamente. Defendo minha tese utilizando exemplos de esportes que se necessitam tanto quanto da explosão muscular, como o rugby e o futebol americano. É claro que eu sei que são esportes diferentes, jogados de forma diferente, mas o que eu digo é que não compromete ao jogador de futebol estar esteticamente diferente da maioria, se este estiver apto fisicamente e liberado pelos seus preparadores físicos e seus médicos para a prática do esporte.

 
Allan Jacobsen, seleção escocesa de rubgy.

O índice de massa corpórea de alguns atletas sendo mais alto, até potencializa suas capacidades físicas. Se o jogador está com massa maior, está também com mais 'combustível' para queimar durante uma partida. Se muito magro, pode não aguentar uma partida inteira, e isso é comprovado.

Ferenc Puskas, Neville Southall, William Foulke, Neil Ruddock, Salvador Cabañas, Mark Bosnich, Ronaldo, Chilavert... Nenhum deles perdeu a técnica pelos quilos a mais. É óbvio que se descontrolado, o peso prejudica articulações e facilita a presença de lesões, mas a cultura do desrespeito ao biotipo de cada jogador (que pode sim ter nascido endomorfo e ninguém saiba) deveria ser ceifada, para que novos atletas mesmo de portes diferentes surgissem no futebol.



O exemplo atual é o de Walter, atacante que vem fazendo grandes jogos pelo Goiás no Brasileirão de 2013 e mostrando que isto nada impede ele de se portar bem em campo. A propósito, o jogador se tornou ainda mais decisivo nessa sua nova fase, pois ganhou massa e consequentemente resistência, podendo atuar 90 minutos em bom nível.

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