quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Brescia nel cuore

(Saudações aos leitores! É com muita honra que nós do Blog Ficha Técnica, pela primeira vez temos um convidado especialíssimo em nosso meio. Trata-se do amigo Fernando Galuppo, jornalista e escritor de livros sobre nosso futebol, dentre eles "O Time do Meu Coração", "Morre Líder, Nasce Campeão!", "Palmeiras Campeão do Mundo 1951" (o qual eu, Danilo, estou lendo), "Alma Palestrina" e "Sociedade Esportiva Palmeiras 1993 - Fim do Jejum, Início da Lenda", todos estes sobre a Sociedade Esportiva Palmeiras, além do "Glórias de Um Moleque Travesso", sobre nosso querido Clube Atlético Juventus da Mooca.

Como se percebe pelos livros, Galuppo é como os autores desde blog, fanático pelo futebol. E por sua origem italiana, foi absolutamente justo que nosso amigo escrevesse sobre o futebol italiano. E neste texto, ele descreve com a maestria de um camisa 10 sua paixão pelo Brescia.)


Brescia nel cuore 

Por Fernando Galuppo

 

Temporada 2002/2003. Da esquerda para a direita Roberto Baggio, Stephen Appiah e Pep Guardiola. Foto Reprodução: In My Ear


Toda a minha geração cresceu assistindo o Campeonato Italiano de Futebol na tela da TV Bandeirantes nos anos 90. Domingo pela manhã, antes da macarronada, era sacrossanta a companhia do narrador Silvio Luiz e dos comentários de Silvio Lancelotti nos lares dos apaixonados pelo esporte-bretão. No meu caso, em particular, isso ficava ainda mais latente. 
 
Neto de italianos tanto do lado materno quanto do paterno, a paixão pelo futebol e pelas coisas da Itália corre nas veias desde cedo.  Além de acompanhar pela televisão os craques do “calcio”, lia as notícias vindas da  “bota” publicadas na revista Placar, colecionava os álbuns defigurinhas da Panini e os cards importados que eram vendidos em algumas bancas do centro da cidade.  Esses mais raros e mais caros. Eram presentes de aniversário ou eventualmente eu os recebia por algum mérito escolar, por exemplo. Artigo de luxo, pode se dizer. Camisas de clubes eram raras. Não se tinha a facilidade dos tempos atuais.
 
Em casa, meu pai nutria simpatia pela Juventus de Turim e pela Fiorentina. Times que tiveram passagens marcantes de atletas do Palmeiras e que eram seus ídolos, tais como Mazzola e Julinho Botelho, respectivamente. Eu não segui seus passos. Tios tentaram me “comprar”, dando para mim uma belíssima camisa original da Lazio do “Pepe” Signori, batizada pelo Papa no Vaticano. Não funcionou. A genialidade de Maradona no Napoli não me cativou. Nem mesmo o fantástico carrossel holandês do Milan, com Gullit, Van Basten e companhia não me inspiravam. Nada me chamava mais atenção que aquela camisa azurra com um “V” branco no peito. Minha escolha estava feita desde o início: Brescia Calcio.

Foi paixão à primeira vista. Foi arrebatador como a primeira namorada. Mesmo sendo o “patinho feio”, aos meus olhos juvenis o Brescia não tinha defeitos. Era perfeito. Impávido. Seus jogadores que mais tenho lembranças nas primeiras formações eram: o goleiro Ballotta, o zagueiro Baronchelli,  os meias Ratti e Schenardi e os atacantes Hagi, Hubner e Maurizio Neri. Foram meus primeiros ídolos. Não me lembro de ter tido muitas alegrias com eles. Mas eram meus heróis e isso bastava.

O Brescia é considerado uma equipe “ioiô”. Ou seja, sobe da A para B ano sim e ano não. É a equipe italiana que mais vezes trilhou essa via-crúcis de acesso e descenso em toda história por mais de uma dezena de vezes. Com alegrias e tristezas, vivo intensamente essa gangorra, acompanhando a equipe pelas rádios e noticiários esportivos. Sempre que posso, compro o abonamento, uma espécie de carnê com ingressos para todos os jogos de uma temporada. Mesmo não tendo ido assistir jamais uma partida no estádio Mario Rigamonti. Em seu centenário, comprei o livro comemorativo. E todo o lançamento de uma nova coleção de camisas procuro compra-las. É minha forma de contribuir com essa paixão, mesmo à distância.

Tradicionalíssima, a agremiação Lombarda foi fundada em 1911. É o time que mais disputou a Série B italiana e que a venceu em três ocasiões: 1964-1965, 1991-1992 e 1996-1997. As duas últimas me recordo bem. E fiquei muito feliz. Sua melhor colocação na Série A foi um inesquecível sétimo lugar na temporada 2000-2001. Na ocasião o mito Roberto Baggio foi seu grande líder numa jornada heroica e memorável. Se o “Divin Codino”, como Baggio era chamado, era o maestro dentro de campo, o lendário treinador Carleto Mazzone regia a companhia no banco de reservas.  Não há como esquecer num clássico contra a Atalanta – maior rival dos lombardos – Mazzone atravessar todo o campo, literalmente, para dar uma senhora “banana” para a curva bergamasca, os xingando de tudo quanto é nome, após o empate do Brescia nos descontos, após estar perdendo por dois gols de diferença. Simplesmente arrebatador  para os corações dos brescianos o gesto do comandante! Luca Toni, Bonera,  Doni e irmãos Filippini eram alguns outros expoentes desse esquadrão, que chegou a final da extinta Copa Europeia Intertoto diante do Paris Saint Germain. Com dois empates (0 a 0 na França e 1 a 1 na Itália), a taça ficou com os franceses, devido os gols marcados fora de casa. Após esse período dourado, o Brescia amargou a Série B de 2004 a 2010, ano em que obteve um efêmero acesso à Série A, para retroceder à divisão B novamente no ano seguinte e permanecer até os dias atuais. 

Entre os grandes craques, destaque para Giuseppe Guardiola, atual técnico do Bayern de Munique, que encerrou a sua carreira como jogador vestindo a camisa do Brescia. Altobelli, jogador da seleção italiana nos anos 80, também defendeu as cores brescianas. Andrea Pirlo, meia extraordinário, foi revelado pelo Brescia.  Branco, lateral da seleção brasileira de 94, também teve passagem destaca para time da  “leonessa”.

Hoje, disputando a Série B, suas maiores referencias no elenco são o lateral Zambelli e o atacante Andrea Caracciolo, maior artilheiro da história da equipe, com mais de 100 gols marcados. Sem dúvida alguma torceremos como sempre para que o Brescia consiga o acesso à elite italiana. 
 
VIVA O BRESCIA!!!

Um comentário:

  1. Olá! Eu estava procurando por fotos na internet Appiah com a camisa do Brescia, e eu encontrei este artigo. Você me fez passar! Desculpe o Português, mas eu estou usando o tradutor. Artigo maravilhoso, do apoiador Brescia Espero que em breve você vai estar vendo um monte de NOSSA Brescia... FORZA BRESCIA! Uma saudação. Sara

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